Home » Empreendedor da quebrada » Da graninha extra ao próprio empreendimento

Dona Joana, como é conhecida na favela, conta com a ajuda dos filhos para fazer o seu próprio negócio reconhecido pelos moradores e também para agradar os diversos paladares que passam – e voltam – para comer os deliciosos lanches oferecidos no cardápio da Lanchonete da Joana.


Joana Francisca, de 50 anos, mora na comunidade desde que nasceu em 1965. Mãe de 3 filhos e há 2 anos empreendedora no ramo alimentício, ela coloca muito amor no que faz para ser a diferença.

A ideia a princípio surgiu como para a maioria dos realizadores dos próprios negócios, ter uma graninha extra. Começou quando uma conhecida que sabia da ideia e indicou um local para alugar. “Foi naquela época apertada que comecei. Aluguei o local, arregacei as mangas e fui trabalhando”.

Dona Joana hoje tem a ajuda dos filhos para continuar o negócio. Segundo ela, principalmente da caçula, Débora Lopes, de 23 anos, que cuida com o mesmo amor e carinho há 1 anos e meio do negócio da mãe.

Débora preparando um X-bacon

Débora preparando um X-bacon

Mesmo com pouca idade, se comparada aos outros empreendedores locais, Débora sonha grande como a mãe. Para ela, o dinheirinho extra é importante, mas se realizar com o que gosta é o que a faz gostar tanto do comércio que dona Joana criou. “Gosto de trabalhar aqui por muitos motivos, mas principalmente porque o meu trabalho não tem rotina e recebo os amigos que comem e bebem aqui”, conta ela.

Hoje o negócio da dona Joana é familiar, Débora conta que a mãe não está tão à frente como algum tempo atrás, mas está sempre conversando com ela sobre a lanchonete.

Débora estudou até o 3º ano e tentou trabalhar fora prestando serviço, mas garante que nada foi tão bom como fazer seus próprios horários e se dispor ao que consegue enxergar como propósito de vida. “É muito melhor aqui”, afirma ela. Atualmente ela conta com a ajuda de sua amiga Jailma Lourenço, de 19 anos, que trabalha todos os dias à noite auxiliando-a nos lanches e atendimento. Para companheira, o trabalho é muito bom de fazer, “Gosto muito. Além de ótimo aqui, lidar com público também é bacana, me divirto porque descontraímos com clientes e amigos”.

Todo mundo conhece – O “lanche da Débora” ou “Lanche da Joana”, como é chamado na favela, é conhecido por muitas pessoas de fora principalmente por conta das festas que têm na comunidade.

Rene Silva, morador do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, por exemplo, esteve em dezembro em São Paulo para conhecer o trabalho do Vozes, provou do lanche e conta: “gostei muito, mas achei diferente o lance da batata palha. Temos o podrão aqui no Alemão e tem a batata palha no lanche, junto com o hambúrguer. O que provei em São Paulo é até parecido”.

Segundo a filha da dona Joana, os lanches mais vendidos por ela atualmente são: X-Tudo e X-bacon, mas também a batata recheada com bacon, cheddar, maionese e queijo ralado. Neste, a Débora conta que para não haver desperdício de comida “utilizamos da mesma peça de queijo no hambúrguer”.

As duas visionárias e empreendedoras locais trabalham de terça à domingo. Abrem a lanchonete que fica na Rua da Igreja às 18h00 e normalmente param de trabalhar durante a semana a 01h00 e aos finais de semana não tem horário.

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Para Débora esse reconhecimento das pessoas de dentro da favela e também dos de fora é fruto de muito trabalho. “Trabalhamos muito e também temos a ajuda das recomendações dos nossos clientes”, e completa, “não paramos um minuto principalmente aos finais de semana que é o período que tem mais festas na favela, aí bomba!”, afirma ela que se orgulha muito do trabalho.

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