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Eduardo Lyra, de Poá, figura entre os 30 jovens com menos de 30 anos mais influentes do Brasil


 

Para apresentar este jovem é preciso conhece-lo pessoalmente, e quando o conhece, muito seguramente a apresentação vai começar por: persistente. Sim, aos 28 anos ele demostra diariamente o quão grande é sua persistência em levar cultura, educação e oportunidade para o extremo da zona leste.

Lyra ainda quando criança ouvia sua mãe, dona Gorete Lyra, dizer “Filho, não importa de onde você vem, mas sim, pra onde vai”, essa frase norteou toda sua vida, e principalmente quando ia fazer as visitas ao pai que encontrava-se preso.

Eduardo Lyra nasceu em uma situação de extrema pobreza. Seus pais não tiveram condições de comprar um berço para o filho, e então o colocava em uma banheira azul. Aquele simples “berço” também era seu local de banho, descanso e brincadeira. A situação era tamanha que ele chegou a ser diagnosticado como uma criança desnutrida, por conta da grave condição financeira e social. Mas isso não o parou, nem ele nem a sua mãe que sempre acreditou no potencial do filho.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Foi assim que o jovem começou a sua trajetória de luta, conquistas e grandes vitórias. Depois das lutas na juventude ele se tornou empreendedor social, e a sua vida passou a ser contada e acompanhada por diversos jovens de favela, periferias e também da classe de elite da sociedade, pois com outras pessoas extremamente gabaritadas ele tem mudado a narrativa que se tinha de Cidade Kemel, Poá.

Eduardo Lyra é fundador do Instituto Gerando Falcões que desde 2013, ano que foi institucionalizado, vem impactando aproximadamente 100 mil jovens por ano através de projetos culturais e educacionais, como o MC’s pela Educação que percorrem São Paulo com funks que tem letras com base em inspirar jovens a ostentar boas notas; o Coral Tom Menor; o Gol a Gol; e os Cultura na Quebrada, Falcões do Skate, Primeiro Set e o Recomeçar, que tem como objetivo oferecer oportunidade para o egresso ingressar no mercado de trabalho, antes que volte para o mundo do crime e caia novamente na prisão.

Especialmente neste último, Eduardo conta que trabalhar com egresso do sistema prisional tem um porquê. “A gente trabalha com ex-detento, porque eu acredito que exista lugar para o ex-presidiário na sociedade. Eu e minha mãe resgatamos meu pai. Então é possível!”, ainda segundo Lyra, para se mudar o país e fazer do Brasil um lugar mais seguro, “a gente precisa convencer o presidiário de que existe uma vida diferente para ele fora do crime, e além de convencê-lo, nós precisamos também criar oportunidades para que eles se realizar muito longe das drogas e de um revólver”, completa.

Hoje com um olhar mais atento para a violência no Brasil o empreendedor mostra que uma das suas motivações para iniciar com todo o trabalho que faz em Poá foi a reflexão de que todos os seus amigos estavam sendo vítimas do sofrimento social. “Eu percebi que eu poderia utilizar meus dons, minha vocação para causar algum impacto na comunidade e assim mudar o enredo e fazer com que a próxima geração pudesse alterar sua própria narrativa de vida”, disse ele.

Eduardo em 2015 conheceu a Favela da Vila Prudente a convite dos jovens Cesar Gouveia e Mayris Costa e se mostrou encantado com o trabalho que o Vozes faz na quebrada. Ele conheceu o Projeto FUTVIDA Prudente e na época o jornal. Atualmente, ele é um grande parceiro do Vozes, e mais que isso, ele é considerado pelos que o conhece como uma inspiração.

Na entrevista, perguntamos como ele enxerga que o Vozes. “Para nós do Gerando Falcões vocês são exemplo de coragem e ousadia na comunicação”, disse.

E assim como ele, o Gerando Falcões são exemplos para o Vozes, trouxemos a história de Eduardo para que inspire outros jovens da favela.

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